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Domingo passado fui assistir Ponte Aérea, um filme da talentosa Julia Rezende com o lindo do Caio Blat sobre uma menina de São Paulo e um menino do Rio entre encontros e desencontros no mundo atual. A narrativa é linda, assim como a fotografia que mostra o Rio e Sampa de um modo belo e leve, os dialogos são reflexos do meu cotidiano. Deve ser por isso que eu chorei , chorei por que a história era ótima e tocante, e chorei por que ela era um espelho do que eu vivo.

Julia usou como base o livro “amor líquido” do Bauman, aquele que fala que vivemos em uma modernidade liquida, pois tudo flui, sem nunca realmente se encaixar ou durar. No livro ele discorre sobre a fragilidade dos laços humanos, que escorrem como água pelos dedos e não ficam. Não ficam pois somos inseguros e medrosos, não queremos correr riscos e queremos corre-los ao mesmo tempo, queremos o amor, mas não o compromisso. A diretora retrata isso no filme com perfeição. Tudo começa com uma transa conveniente em um quarto de hotel. Um hotel, um daqueles lugares sem intimidade nenhuma, com alguém que você acabou de conhecer. Podemos concordar que é normal hoje em dia. Mas os protagonistas trocam de celular e começam a conversar e logo ele a encontra em São Paulo e logo ela está no Rio novamente, as coisas começam a desenrolar e um começa a gostar do outro e se importar.

Amanda e Bruno, os protagonistas, precisam lidar com a distância desta maravilhosa ponte aérea Rio/SP, mas também com os novos sentimentos e vontades e suas diferenças. O mundo dele e o dela, completos opostos se complementam e é lindo. Mas é também desesperador. Tem o medo de se entregar, de admitir que gosta e que quer estar junto, tem o medo de amar de verdade, de mergulhar de cabeça, de se machucar.

Os nossos medos diários, os encontros e desencontros com pessoas que podem ser o maior amor ou só uma diversão passageira, a nossa falta de compromisso, os relacionamentos frágeis de uma tarde só ou de dias ou meses. Eu me senti confortável com o filme, como se ele fosse meu também, como se ele estivesse contando também a minha história e expondo os meus medos.

Bauman afirma que para ser feliz são necessários dois valores essenciais a segurança e a liberdade, “Você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. […] Cada vez que você tem mais segurança, você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade, você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo”. E é assim sempre, a dicotomia constante entre a entrega e o medo da decepção. Mas, eu acho que é melhor mergulhar de cabeça e chorar depois do que se arrepender por não ter agarrado a oportunidade.

Eu deixo vocês com o trailer. Vai lá, é mara.

 

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